Brasileiro Gustavo Lins se destaca na alta-costura de Paris

Brasileiro Gustavo Lins se destaca na alta-costura de Paris

Estilista é único latino-americano em meio a Dior, Chanel e Vuitton.
Criações recentes incluem sandália baiana com salto de porcelana.

Da France Presse

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Fazer uma roupa como se fabrica um belo prédio, com materiais nobres mas reciclados: essa é a marca do brasileiro Gustavo Lins, que apresenta sua coleção nesta terça-feira (26) nos exclusivos desfiles de Alta-Costura em Paris.

 

 

Foto: AFP

Modelos apresentam peças da coleção de Gustavo Lins na temporada de alta costura de Paris (Foto: AFP)

 

Em uma entrevista à AFP em seu ateliê no Marais, um dos bairros mais antigos de Paris e hoje um dos mais chiques, Lins mostra alguns dos trajes que fazem parte de sua coleção primavera/verão 2010.

 

“Esta coleção resume toda a minha trajetória como estilista”, disse Lins, o único latino-americano convidado para desfilar nas passarelas de Alta-Costura, junto com algumas das históricas maisons Dior, Chanel, Vuitton, Givenchy, e outras mais recentes, como Jean Paul Gaultier.

 

Segundo Lins, sua formação em arquitetura o faz conceber as roupas de outra maneira, com maior rigor no corte e na modelagem quase arquitetônica das peças que formam sua coleção de Alta-Costura, trabalho de prestígio que carrega uma série de exigências, entre elas a de que o acabamento da costura tem que ser feito à mão.

 

“Como na arquitetura, os detalhes não são aparentes”, explicou Lins, que diz que essa coleção é resultado também de sua experiência em marcas europeias e japonesas, e de seu amor pelo Brasil.

 

 

Foto: AFP

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O estilista brasileiro Gustavo Lins (Foto: AFP)

“Formei-me arquiteto no Brasil e logo depois estudei em Barcelona. Foi ali que decidi mudar da arquitetura para moda”, explicou, acrescentando que na realidade seu interesse pela costura surgiu ainda jovem, porque não gostava da roupa que comprava.

 

“Com meu primeiro salário como arquiteto, que era bastante dinheiro, comprei várias roupas de marcas conhecidas, caras. Mas não gostava como elas vestiam em mim. Visitei um alfaiate, mas ainda não estava contente. Assim, comecei a aprender, para fazer eu mesmo minhas roupas”, explicou Lins.

 

“Estudei corte, desenho, confecção, aprendi a construção de uma roupa, estudando suas formas, assim como estudei as formas de um edifício. Estudei também os materiais, qual é o caimento no corpo”, acrescentou o estilista.

 

 

Aprendiz de Galliano

 

Quando decidiu se dedicar totalmente à costura, Lins viajou para Paris e trabalhou como aprendiz em grandes maisons, como as francesas Luis Vuitton e Jean Paul Gaultier, além da japonesa Kenzo.

 

O estilista também aprendeu muito com o britânico John Galliano, diretor artístico da maison Dior, lembra. “Com eles aprendi o ‘know-how’. Aprendi como se faz uma roupa de luxo”.

 

A paixão pelo Brasil levou Lins a explorar materiais que não costumam fazer parte da rotina da Alta-Costura, como pedaços de camisetas de futebol -de seu time, de Minas Gerais- ou papel corrugado e couro reciclados, que mistura com materiais mais luxuosos, como sedas, cachemiras e peles.

 

 

Foto: AFP

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Sandália desenhada por Gustavo Lins (Foto: AFP)

Lins mostra com orgulho as sandálias usadas para este desfile. A parte de cima é a popular sandália baiana, encontrada em qualquer mercado do Brasil e do mundo, por preço barato. “Não há nada mais popular que esta sandália. Mas eu incorporei um calcanhar alto de porcelana, que transforma em uma peça única”, diz o estilista, que foi convidado pela primeira vez há três anos, para desfilar nas passarelas parisienses, pela Câmara Sindical de Alta-Costura, que organiza os desfiles e estabelece os estritos parâmetros para o título de “maison”.

 

“É uma grande honra. Sinto que não só represento o Brasil, mas toda a América Latina”, afirmou. “Se tudo acontecer bem, em dois anos me transformarei em membro permanente, do grupo de Alta-Costura, onde hoje há apenas dez maisons, acrescentou, contando que seu sonho é conseguir financiamento para estabelecer sua marca e fazer escola no Brasil e em toda América Latina.

 

“Já temos a criatividade, temos os materiais, mas não temos a técnica. Isso é o que quero ensinar”, concluiu.

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